
A Prefeitura de Barra de São Francisco, no Noroeste do Espírito Santo, decretou toque de recolher a partir desta quarta-feira (24), para tentar conter o avanço da covid-19 no município. De acordo com o decreto, assinado pelo prefeito Enivaldo dos Anjos (PSD), farmácias e supermercados só podem funcionar em sistema de entregas (delivery). Além disso, fica suspenso o funcionamento de serviços e atividades.
O toque de recolher vai valer entre 20h de um dia às 6h do dia seguinte, até a próxima segunda-feira (29), quando será feita nova avaliação do quadro.
A limitação de dia de atendimento ao público presencial não se aplica para assistência à saúde, incluindo serviços médicos e hospitalares; serviços públicos considerados essenciais; assistência social e atendimento à população em situação de vulnerabilidade; e serviços funerários.
O Decreto Nº 045-A /2021 declara “Situação de Calamidade e Emergência em Saúde Pública no Município de Barra de São Francisco, em razão da pandemia de Covid-19, e acrescenta medidas qualificadas extraordinárias para seu enfrentamento”.
“Na consulta que fiz por mensagem, 90% das pessoas apoiaram o endurecimento de medidas, tendo em vista o agravamento da situação no município e a falta de colaboração das pessoas”, disse Enivaldo, que começou a movimentação após receber áudio de um médico da equipe do Hospital Dr Alceu Melgaço Filho pedindo providências ao chefe do Executivo.
No final de semana, a situação em Barra de São Francisco se agravou ainda mais, como aponta a prefeitura. A Secretaria de Estado de Saúde habilitou dez leitos de UTI para receber pacientes de Covid no Hospital Dr Alceu Melgaço Filho e o próprio secretário municipal da pasta, Gustavo Lacerda, que já foi diretor do hospital, foi ajudar com sua equipe na instalação. Isso, porém, está sendo insuficiente.
Na noite de domingo (21), o médico Leonardo Dornelas gravou um áudio de três minutos relatando a situação dramática no hospital, o que levou o prefeito a enviar uma mensagem por lista de transmissão à população: "Os pacientes não param de chegar, todos com no mínimo 70% de comprometimento do pulmão. Está desesperador, pacientes clamando por ar, e pegando os profissionais pelo braço pedindo socorro. Estamos com muitas dificuldades para ajudar as pessoas, não existem vagas no Estado".
A variante britânica do novo coronavírus (SARS-CoV-2) chamada de B.1.1.7, está presente no Espírito Santo pelo menos desde novembro de 2020, segundo informou a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) nessa segunda-feira (22). Mais transmissível e letal que as cepas originais, é mais comum entre jovens com até 30 anos de idade, e sua reprodução em solo capixaba dobra a cada quinze dias desde meados de fevereiro de 2021, o que explica, em parte, o fato de o Estado viver o maior dos três picos de crescimento da Covid-19 desde o início da pandemia, há um ano.
A identificação da variante no Estado aconteceu no início deste mês. Em fevereiro, foi publicado um artigo científico sobre o sequenciamento genético de amostras oriundas de dez estados brasileiros, onde foi encontrada a presença da variante B.1.1.7 no município de Barra de São Francisco, no noroeste capixaba. Piúma, no sul do Estado, também é apontado como epicentro no Espírito Santo.
*Texto atualizado às 8h10 de quarta-feira, 24, para acréscimo de informações